vicio-em-grunge:

Krist Novoselic fala sobre o VMA de 1992 em sua coluna:
“Visto que é o primeiro aniversário da minha coluna no SeattleWeekly.com, pensei em fazer algo diferente esta semana e contar toda a história por trás do VMA de 1992 quando meu baixo caiu na minha cabeça.
O Nirvana  apareceu cedo no dia para a produção do evento na UCLA, oeste de Hollywood. O show foi no ginásio, e no campo de atletismo foram montados os camarins para os artistas.
Nós resolvemos ficar dentro do nosso trailer. No mundo musical, você aparece na hora só para esperar uma eternidade. Porque não tomar uma cerveja para relaxar? Ao invés de uma gelada, encontrei latas de uma cerveja quente e barata. Argh! Bem que podiam ter deixado no mini-frezzer por um tempo.
Andei em volta e chequei o palco. Outras bandas estavam chegando. Disse “oi” para os carregadores do Pearl Jam e do Black Crowes. Sammy Hagar disse “oi”. Estava também Howard Stern em um terno feito para mostrar suas nádegas.
Passei no refeitório, onde Kurt e Courtney estavam numa mesa com a recém-nascida filha deles, Frances. Me contaram que Axl Rose estava andando por ali e Courtney começou a provocá-lo. Ela gritou: “Axl, Axl – você é o padrinho!”. Tendo escutado isso, Axl aparentemente ficou muito irritado, foi até Kurt e exigiu que ele mantivesse sua mulher na linha. Kurt se virou para Courtney e sarcasticamente pediu a sua mulher para ficar na linha e deixou isso pra lá. Axl então pirou. Claro, Kurt e Courtney estavam zoando a resposta de Axl no contexto das tendências patriarcais [machistas] da sociedade. Na minha opinião, Rose não deveria ter apelado. Ele deveria ter ido até eles e pedido para beijar o bebê ou qualquer outra coisa!
Ao mesmo tempo, Kurt queria tocar “Rape Me” e estava irredutível sobre isso. O pessoal da MTV estava perturbado. Ouvíamos de todos os lados pedidos para que aquilo não fosse feito. Eu pensei que deveríamos tocar algo que não fosse do Nevermind, fazer o show, e ir embora. Fácil, certo? Não. Kurt estava obstinado e se recusava a tocar outra coisa. Houve muita turbulência sobre isso.
Voltei ao trailer e tomei uma cerveja (ainda) quente. Horrível, mas bebi mesmo assim. Para resolver a situação da música, nós dissemos que iríamos tocar “Lithium”, mas decidimos, na hora da entrada da banda, levar uma brincadeira e tocar alguns acordes de “Rape Me” no começo. Apesar da questão estar resolvida, as idas e vindas entre o seu pessoal, nosso pessoal, nós e eles, ou quem fosse – isso estava complicando.
Eu estava andando em direção ao palco, tive acesso ao meu novo amigo e colega, Duff Mckagan. Eu achava que Duff tambem estava também sob influência [drogado]. Ele realmente escutou algo de Rose e veio tirar satisfações comigo. Eu estava quase apelando e no mesmo instante respondi no mesmo tom. O pessoal da produção me agarrou e nós continuamos em direção ao palco.
Eu estava agora ainda mais abalado. Deve-se entrar no palco num ótimo estado de espírito, mas eu não estava assim. O Nirvana foi apresentado, fizemos a nossa brincadeira combinada, então entramos com “Lithium”. Eu estava plugado em alguma aparelhagem horrível para baixo e que distorcia terrivelmente. Eu mal podia escutar o que estava tocando, e o som deteriorava, se tornando uma bagunça inaudível. Foda–se! Hora de jogar o baixo para cima! Lá vai ele!!!!! Eu sempre tento lançar bem alto – consigo mais de 7 metros fácil! Sem problemas como o baixo foi alto, mas eu não estava sintonizado – nunca deixei cair e a única vez acontece na frente de 300 milhões de pessoas. Ouch! Eu estava bem, mas fingi estar nocauteado, talvez expressando meu tormento interior em uma noite turbulenta. (Talvez eu estava só com vergonha.)
Eu sai tropeçando para fora do palco em direção ao camarim com minhas mãos na testa. Andei reto pro banheiro e olhei no espelho e vi uma testa sangrando. Lavei meu rosto e coloquei uma toalha de papel na minha cabeça. Paramédicos chegaram e colocaram um pequeno curativo, então me entregaram um longo formulário de liberação médica para assinar. Atrás deles estava Brian May, o guitarrista do Queen, com um copo de champanhe gelado. Eu assinei a liberação só para ficar longe dos médicos e então eu podia tomar um gole da maravilhosa medicina do Sr. May. Ahh, yes!!! Momentos depois Dave Grohl chegou. Ele estava me procurando, só para me encontrar apreciando uma calma taça de espumante com o Sr. May. Foi um alívio para todos!
Conheci Duff adequadamente no fim dos anos 90. E foi um bom encontro – considerando a maneira que nos conhecemos em 1992. Tive um grande ano aqui no Weekly. Um de meus melhores dias foi quando inesperadamente tive acesso a nova coluna do Duff – que ótima surpresa!
Espero que vocês gostem da história daquele infame momento no rock. Eu ainda tenho o baixo, também. Eu não o toco muito. O braço ficou um pouco torto!!!”
Fonte: Guns N’ Roses x Nirvana: o que ocorreu em 1992? - Curiosidades http://whiplash.net/materias/curiosidades/081329-gunsnroses.html#ixzz1ugU5f6jN
O celular dela toca.
  • Ela: Número restrito? Hm... pode ser algo importante.
  • Ela atende o celular.
  • Ele: Oi, sou eu de novo...
  • Ela ia desligar o celular, mas a voz dele a interrompe.
  • Ele: Por favor, me escuta só dessa vez, é a última vez, por favor...
  • Ela suspira.
  • Ela: Estou escutando.
  • Ele: Eu não sei porquê você fez isso comigo, mas não quero perguntar isso, eu só quero te fazer lembrar de umas coisas... Lembra no colégio, quando você entrou lá com a sua blusa da banda Slipknot porque ainda não tinha o uniforme e com o cabelo meio bagunçado? Seu All Star tava meio rasgado no canto, mas eu não liguei. Lembra na nossa primeira aula juntos? Que a ponta do seu lápis quebrou depois que caiu no chão e você percebeu que estava sem o apontador? Eu te emprestei o meu apontador com a figurinha do Iron Maiden e você arregalou os olhos de um jeito tão engraçado. A gente passou o resto do dia conversando sobre bandas de rock e perdemos quase todas as matérias que os professores chatos passaram no primeiro dia.
  • Ela: É eu lembro disso, já acabou?
  • Ele: Calma... Eu te apresentei aos rockeiros do colégio no segundo dia e você adorou, lembra? Aí o professor de matemática passou um trabalho em dupla enorme e nós fizemos juntos, só que não conseguimos terminar na sala e tive que ir na sua casa. Entregamos o trabalho mal-feito, pois passamos muito tempo escutando e cantando Iron Maiden, Slipknot, System of a Down, Avenged... lembra que a gente não parou de escutar Dear God e a cada vez que tocava essa música a gente cantava mais alto? Eu lembro disso, dou risada disso até hoje! Era legal, né?
  • Ela: Era, era legal, já acabou?
  • Ele: Espera só mais um pouco, nós não vivemos só isso... Lembra de quando a gente descobriu que teria Slipknot aqui no nosso Estado? Você ficou triste, pois não iria ter o dinheiro até o dia que começaria a venda dos ingressos e no outro dia eu cheguei em você e disse que tinha uma péssima notícia. Você ficou preocupada querendo saber o que era e eu mentindo falando que eu tava muito mal. Sabe, eu sou um bom ator! (risos) Eu te mostrei dois ingressos e você começou a gritar no meio do pátio do colégio. Sim, nós iríamos para o show do Slipknot. Lembra que num dia antes do show você me fez ir numa loja comprar uma blusa do Slipknot nova pra você? Você ficou horas na loja experimentando todas que tinha e ficou indecisa. Não sei o porquê, pois todas haviam ficado perfeitas em você. Quando saímos da loja você me levou para uma pracinha onde tinha hippies e me pagou uma tatuagem de henna nas costas da mão direita. Você também fez uma tatuagem. A minha e a sua juntas formavam "Slipknot". Você é bem criativa.
  • Ela: É, a tatuagem demorou mais de quinze dias pra sair.
  • Ele: É... (risos) De madrugada fomos para o show, meu pai me levou. Estávamos no meio da fila, mas cochilamos e ficamos no final, pois todo mundo passou da gente! Você ficou brava pra caramba e eu fiquei com medo. Você fica linda brava, mas dá medo de você! Eu tentei de animar e comprei um monte de coisas para o show: Uma bandana do Slipknot, uma pulseira, comprei comida, mas você não quis comer. Então eu comi e a minha blusa do Slipknot manchou de mostarda. Você odeia mostarda. Quando entramos lá, só tinha lugar bem atrás e todo mundo tava empurrando. Eles entraram no palco e parecia que você ia entrar em colapso!
  • Ela: (risos)
  • Ele: Verdade! Só que você é baixinha e não conseguia ver. Aí eu te coloquei nos meus ombros, lembra? Você ficou se mexendo tanto que eu fiquei com medo que você caísse. Você sabia cantar todas as músicas e se sacudiu toda quando o cara pulou do palco pra platéia! Eu tive que fazer você descer um pouco, meus ombros estavam doendo de tanto que você se mexeu! Você começou a gritar comigo, tinha lágrimas nos olhos e me abraçou forte.
  • Ela: Sempre amei Slipknot.
  • Ele: É... Eu ajoelhei na sua frente quando você tampou os olhos com as mãos para tentar parar de chorar por ver o caras da banda. Você repetia "Deus, é o Corey!" toda hora. Quando abriu os olhos eu tava mostrando duas alianças na minha mão. Eu disse: "Quer namorar comigo?". Você aceitou e me beijou ali, enquanto tocava Snuff. Pra mim foi um momento perfeito. Depois do show nosso namoro foi muito bom, eu gostei. Você também dizia gostar, mas quando a gente completou cinco meses você terminou comigo. Até hoje não sei o porquê, queria que você me contasse... Naquele dia eu tinha mais duas alianças guardadas no bolso. Eram lindas... Eu ia te pedir em casamento, você já tinha dezessete anos e eu vinte, lembra? Eu repeti várias vezes as séries. Você terminou comigo no colégio. Eu não voltei a estudar na parte da manhã. Fui fazer supletivo a noite, nunca mais você me viu. Eu te via sempre. Sabia que da rua da pra ver a janela do seu quarto? Eu te via cantando, tocando guitarra e escutando Snuff... Por que você terminou comigo? Me conta só isso, por favor...
  • Ela: Terminei com você porque não sabia se era o certo... foi tudo tão rápido. Começamos a namorar dois meses depois que nos conhecemos... Fiquei com medo de me machucar.
  • Ele: Eu nunca vou te machucar. Eu tinha planos pra nós, mas você destruiu. Tá escutando isso?
  • Ela parou. Então escutou o começo da música Snuff ao longe.
  • Ele: É a nossa música.
  • Ela levantou da cama e caminhou até a janela. Quando abriu viu o garoto erguendo um rádio pequeno.
  • Ele: Eu nunca vou te machucar, nunca vou desistir de você... você é tudo o que eu tenho e tudo o que eu quero ter. Que tal você namorar comigo de novo? Nós podemos começar do zero, ou podemos voltar aos cinco meses e então você aceitar meu pedido de casamento...
  • Ela fechou a janela.
  • Ele abaixou o rádio com o pensamento de que não havia funcionado... Se jogou na calçada, desligou a música e cobriu o rosto com as mãos.
  • Ela: Sabe o que descobri?
  • Quando ele ergueu os olhos a menina estava ali, com a mesma blusa da banda Slipknot e o mesmo All Star rasgado que usava no primeiro dia de aula.
  • Ele: O que? (repreendeu um sorriso).
  • Ela: Snuff não tem nada a ver com a gente, com a nossa história, bom... é o que eu acho, mas mesmo assim é a nossa música.
  • Ela o beijou e aceitou usar a aliança que ele tinha pra oferecer.
  • Se casaram numa igreja pequena e a música que tocou quando a noiva entrou foi Snuff.